Minha Pequena História Gastronômica

Os relatos a seguir serão sempre um inacabado roteiro para pontuar minha relação pessoal com a Gastronomia. Qualquer ajuda e/ou correção será bem vinda e apreciada. Peço aos amigos que refresquem minha memório quanto a nomes e datas que por ventura eu venha a esquecer ao longo do texto.
-->

A Tentação dos Anzóis

Quando eu era criança pequena lá em São Paulo, nos anos 60, lembro que havia poucos restaurantes na cidade. A gastronomia engatinhava.

Lembro-me do Roma, alguns restaurantes internacionais em hotéis com destaque para o Ca' D'Oro, o Restaurante Sino-Brasileiro, O Rodeio. As pizzarias Camelo e Paulino. Havia as do Bexiga e do Brás, mas minha família não ia tão longe para comer! Em Santos já existia o Dom Fabrízio (putz! finalmente lembrei do nome que, faz tempo, estava me queimando os miolos) que eu viria a conhecer nos anos seguintes. Tinha também o Le Casserole do Roger e da Fortuné, casal que eu viria a conhecer 20 anos depois no clube de Bridge.

De lanchonete não me lembro nesse período, somente uma portinha que havia do lado do cinema onde hoje está instalado o Teatro Procópio Ferreira. Ali comi meu primeiro hambúrguer com molho vinagrete.

Na década de 70, a coisa foi melhorando; além daqueles que existiam e que passei a frequentar, muita coisa nova abriu. Destaques para:

Via Veneto
The Golden Dragon
Nello's
Casa das Massas, chinês em Cerqueira Cezar/Pinheiros
Pandoro
Restaurante de sede da Sociedade Harmonia de Tênis. Destaque para  Feijoada de Sábado e Chateubriand com Molho Bernaise.

Meu avô materno nos levava no almoço de Natal a um restaurante perto do Borba Gato de que não lembro o nome. Era especializado em comida típica brasileira. Seria o Maria Fulô?

Minha mãe gostava de ir num restaurante em Itapecerica da Serra para comer leitão pururuca. Eu não curtia muito, mas lembro que era um lugar famoso e badalado nos domingos. 

Pizzarias:

Camelo. (repeti porque merece)
Aridino
Cantina Esperanza. Fiz o Bexiga!
Micheluccio
Foi no Senzala da Praça Panamericana que aprendi minhas primeiras lições sobre pizza. Eu ficava conversando horas com o pizzaiolo que me dava um monte de dicas. Ele me ensinou, por exemplo, uma receita muito simples de molho de tomate: 

Tomates maduros passados no moedor de carne, sal, orégano e azeite.

Lanchonetes e fast food:

Hamburgão
Hamburguinho
Frevo. O melhor beirute até hoje.
Bambi
Gonsalito
Lanchonete do Harmonia por conta, entre outros, do também inesquecível beirute.
Gimba
Chico Hamburguer (lembrado por Maurício Pinto e Silva)
Brunella
Ofner

Foi nos anos 70 que conheci lugares no exterior onde experimentei coisas que, na época, eram muito diferentes. Destaques para:

Diner do Hotel Beverly Hilton,

meu primeiro "Chili con Carne". Eles faziam um prato chamado "Chef's Special" que era basicamente constituído de um cheeseburguer duplo aberto, regado por uma generosa porção de chili e salpicado com cebola crua. Um digno pratão de caminhoneiro num dos hotéis mais bacanas da época. hahah.

The Magic Pan, LA

Lá tinha uma panqueca crocante recheada com um "blend" de queijos moles que, como lava quente, derretiam para fora quando você cortava. Acompanhando vinha um potinho de uma espetacular mostarda de mel. Inesquecível! Alguns anos depois voltei ao The Magic Pan de São Francisco e não achei mais essa panqueca. A mostarda ainda existia acompanhando uma outra entrada sem graça. A panqueca crocante é uma lenda na internet onde existe uma penca de receitas apócrifas.

MacDonalds,

A primeira vez que comi no McDonalds foi perto de Stanford. Minha mãe e eu saímos de Los Angeles para visitar o tio Eduardo e a tia Marta. Ele estava fazendo MBA ou doutorado lá e o Supla ainda nem era o Supla. Foi mais ou menos em 1972. Eu tinha uns 11 anos. O tio Eduardo, sabendo que, como ele, era fã da Seleção, me convidou para assistir a um jogo de futebol que seria transmitido por lá. Coisa rara nos EUA daqueles tempos. Era num lugar meio longe. Seria projetado em um telão (sim, também foi a primeira vez que vi um desses). Na volta do jogo paramos num "Mac" e foi ai que comi meu primeiro McLanche Feliz.

Preciso ressaltar a importância que os EUA têm para mim sob o ponto de vista gastronômico. Eu adoro hambúrguer! Foi lá, nessa época que comi meu primeiro hambúrguer tipicamente americano; Mais alto, grelhado no Char-Broil com aquele gostinho meio defumado, acompanhado daquelas fritas onduladas, regados a ketchup e mostarda da marca, ainda inédita no Brasil, Heinz.

Foi também nesse período que experimentei:

Donuts
Bagels
Cream Cheese
Macarroni and Cheese
Fried Chicken
Fish'n'Chips
Pipoca com manteiga no cinema (de lá)
Tacos
Enchiladas
molhos para salada:  Blue Cheese, French, Italian e Thousand Island
banana congelada coberta com chocolate na Disneylândia
Comida Tailandesa.
Molho Bolonhesa temperado com cominho.
Batata Pringels


Preciso dar um destaque especial para o HOT DOG. Sim, porque hot dog só americano faz! A gente só consegue fazer no máximo um cachorro-quentezinho vagabundo se caprichar muito no pão e nos molhos. É quase uma súplica! O HOT DOG é maravilhoso por que a salsicha deles é espetacular!

Por que será que não tem um FDP, numa dessas m****s dessas empresas brasileiras que fabricam salsicha, que não faz uma que seja, no minimo, metade da qualidade e do sabor da americana!?!?!?!?

Faz mais de 30 anos que me faço essa pergunta! E o pior é que cheguei a uma conclusão. Infelizmente, para expô-la aqui, teria que também ofender o consumidor brasileiro.


na virada para os anos 80:
New Dog
Joakin's


Os anos oitenta foram uma profusão de novos restaurantes que se abriam e fechavam. Alguns ótimos permaneciam. A progressão passou a ser geométrica.

restaurantes:

Marcel
La Provence
Le Coq Hardy
La Cocagne
Danton
Rubayat
La Trainera
Mássimo
Tanji
Lelis
Sargento
Mássimo
Galetto's
Barbacoa
Vivenda do Camarão
Bismarck
Snapshaus
Família Macini
Almanara
Vico d'o Scugnizzo

pizzarias:

Monte Verde
Cristal
Primo Basílico


lanchonetes  fast food:

América
Baked Potato


bares:

Clyde's


No início dos anos 90 me mudei para o interior de São Paulo. Aqui as coisas eram bem ruins no que diz respeito a gastronomia. Fora alguns pratos e baurus isolados em alguns bares e lanchonetes a região era escassa de comida e atendimento de qualidade. Ao longo dos anos a coisa tem melhorados, mas posso dizer que ainda sinto saudade da minha vida gastronômica de antes. De vez em quando, dou um pulo em Sampa para matar a saudade e descobrir novos lugares, mas com os preços malucos de hoje em dia isso esta cada vez mais difícil.


Devo fazer aqui uma ressalva: Os períodos estão colocados de acordo com as épocas em que eu fui conhecendo os restaurantes e não quando foram inaugurados.